Existe uma forma de cegueira quase inevitável que acomete todo escritor durante o processo de composição. Após horas, dias ou meses debruçado sobre um manuscrito, o cérebro do autor entra em um estado de "familiaridade cognitiva" tão profundo que ele deixa de ler o que efetivamente está na página e passa a ler o que ele pretende que esteja ali. Os olhos deslizam sobre os parágrafos com uma velocidade mecânica, preenchendo lacunas de ritmo, ignorando repetições lexicais incômodas e dando o benefício da dúvida a frases que, na verdade, carecem de fluidez. É um fenômeno de percepção seletiva: a nossa mente, sendo a criadora daquela realidade, projeta a intenção por cima da execução, tornando-nos os auditores mais incompetentes da nossa própria obra. Para romper esse ciclo de cegueira, existe uma ferramenta de diagnóstico que atravessa séculos de tradição oral e técnica literária: a leitura em voz alta. Não se trata de uma recomendação lúdica ou de um exercício de performance, ...
Da ideia à publicação: o guia completo para a evolução de sua jornada literária.